Avisos agrícolas: escolher região e campanha

Os avisos agrícolas são publicados no SNAA, o Serviço Nacional de Avisos Agrícolas da DGAV. A circular de avisos é o resultado final do trabalho dos técnicos das Estações de Avisos e deve conter o que tratar, quando tratar e como tratar. Resulta da análise de dados biológicos, fenológicos e meteorológicos. Comece pela estação da região da exploração, identifique a circular da campanha e confronte a informação com o que observa na cultura.

Os avisos agrícolas Entre Douro e Minho estão no arquivo da CCDR Norte. O IVDP divulga as circulares da Estação de Avisos do Douro e da de Entre Douro e Minho.

O arquivo de Entre Douro e Minho organiza as circulares por cultura e inimigo: vinha (esca, flavescência dourada), actinídea (Psa, percevejo asiático), pequenos frutos, citrinos e pomóideas. Procure a sua cultura e o inimigo em causa e confira a data de emissão da circular.

Pode também receber avisos através de uma cooperativa ou associação inscrita no serviço.

O acompanhamento abrange os estados imaturos e adultos dos inimigos, o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da cultura e a meteorologia. Entre as variáveis observadas estão precipitação, temperatura, humidade relativa e folha molhada.

A fenologia acompanha fases vegetativas, como germinação, emergência e crescimento de raízes, e fases reprodutivas, como floração, frutificação e maturação. Anote o estado fenológico da sua parcela e compare-o com o período de suscetibilidade indicado no aviso.

Os Postos de Observação Biológica acompanham parcelas representativas. Na proximidade, uma estação meteorológica automática, ou a estação mais próxima, fornece dados para avaliar o desenvolvimento dos inimigos. A fase da cultura permite reconhecer a sua suscetibilidade; a fase do inimigo e o nível de infeção ou infestação ajudam a determinar a oportunidade de tratar.

Avisos agrícolas no Centro: contactar o serviço regional

Para receber avisos agrícolas no Centro, o agricultor inscreve-se nos serviços da DGAV ou CCDR correspondentes à zona onde se encontra a exploração e fica habilitado a receber a circular em casa sempre que o serviço a emita. Confirme qual dos serviços acompanha a localização da sua exploração. Prepare a descrição da exploração, as culturas a acompanhar e o contacto de quem receberá as circulares, e peça ao serviço as instruções de inscrição, o canal de distribuição e o arquivo utilizado.

Avisos agrícolas para a vinha

A página de avisos do IVDP reúne as circulares da Estação do Douro e da de Entre Douro e Minho, incluindo circulares especiais sobre escaldão e granizo. O guia de tratamentos da vinha completa o tema. Escolha a região e a campanha antes de retirar da circular uma indicação para a sua vinha.

Exemplo de aviso agrícola para a vinha: Douro, 13 de abril de 2026

No míldio, a probabilidade de infeção era maior nas vinhas com lançamentos superiores a 10 centímetros. O tratamento aconselhado era antes de 18 ou 19 de abril, o mais perto possível dessa data, com preferência por um fungicida sistémico com ação curativa e anti-esporulante. A persistência dos tratamentos nessa fase podia não passar de 8 a 10 dias. Nas vinhas de cotas altas, ou com desenvolvimento inferior a 10 centímetros, não era necessário tratar.

No oídio, nas vinhas com cachos separados juntava-se à calda um fungicida anti-oídio sistémico do grupo dos IBE; com menos desenvolvimento, aplicava-se enxofre molhável com o produto anti-míldio. O enxofre em pó não podia ultrapassar 20 kg/ha e aplicava-se com a folhagem seca, para diminuir o risco de fitotoxicidade.

Nas vinhas com histórico de podridão negra, os fungicidas selecionados devem também ser eficazes contra essa doença.

Identificação e suspeita de flavescência dourada

A flavescência dourada provoca amarelecimento ou avermelhamento conforme a casta, mudança de consistência e enrolamento das folhas. As varas podem ficar flexuosas, com atempamento irregular, e os cachos apresentar alterações. A confirmação exige análise laboratorial. A doença não tem tratamento. Os primeiros sintomas graves podem surgir até três anos após a infeção, e a época de controlo vai do fim de agosto ao fim de setembro. Perante sintomas, chame de imediato o inspetor fitossanitário da DRAP, que marca as plantas, colhe as amostras e as envia ao laboratório de referência do INIAV. Registe a localização das plantas com sintomas para a inspeção fitossanitária.

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Os sintomas foliares de botriosferiose, ou BDA, podem confundir-se com os da esca. Observe em conjunto folhas, varas e cachos para descrever os sintomas ao comunicar aos serviços fitossanitários.

Na vinha, distinga míldio, oídio e podridão negra pelos sintomas. Em caso de dúvida na identificação, contacte a Estação de Avisos do Douro.

O dever de comunicar suspeitas abrange proprietários, usufrutuários e rendeiros de plantas de Vitis e operadores profissionais que produzam ou comercializem esse material. O dever de informação nasce do conhecimento ou da suspeita de flavescência dourada ou do vetor Scaphoideus titanus. A comunicação aos serviços oficiais deve ser imediata. Não espere que um diagnóstico privado confirme a suspeita para informar a DGAV.

A prospeção nacional, coordenada pela DGAV, é fundamentada estatisticamente e no risco. Realiza-se em épocas adequadas à deteção, considerando a biologia da praga e do vetor e a presença dos hospedeiros. Abrange inspeção visual e amostragem perante sintomas suspeitos. O vetor é acompanhado com armadilhas cromotrópicas ou métodos igualmente eficazes, recolha periódica e identificação dos insetos suspeitos. Os serviços oficiais registam a prospeção no gesFITO. O gesFITO serve para registar as atividades dos técnicos dos serviços oficiais.

Fora da zona em confinamento, a confirmação laboratorial oficial origina uma zona demarcada em erradicação. Se o vetor estiver ausente, a DGAV pode decidir não a estabelecer, reforçando a prospeção durante pelo menos dois anos. A delimitação aprovada é publicada com mapa e lista das freguesias abrangidas.

Em viveiros e vinhas-mãe de garfos, os gomos mostram falta ou atraso de abrolhamento, e as varas ficam flexuosas e de porte retombante. Os cachos apresentam dessecamento do pedúnculo, uvas enrugadas e polpa fibrosa. As folhas enrolam-se sobre a página inferior, em forma de telha.

Na zona infetada em erradicação, as videiras contaminadas são arrancadas e destruídas até 31 de março. Se ultrapassarem 20% das videiras da parcela, é obrigatório arrancar e destruir toda a parcela. A contaminação abrange resultados oficiais positivos e videiras com sintomas semelhantes.

Nas freguesias onde o vetor está presente dentro das zonas demarcadas, incluindo zonas tampão, os tratamentos inseticidas são anuais e obrigatórios. Use produtos autorizados, nos momentos indicados nos avisos, e registe produtos, doses e datas de aplicação.

Proteção integrada e estimativa do risco

Os inimigos das culturas são monitorizados por métodos e instrumentos adequados, e a estimativa do risco decide se se aplicam medidas fitossanitárias e em que momento. Os meios biológicos, físicos e outros meios não químicos sustentáveis são preferidos aos químicos quando controlam satisfatoriamente. Os produtos aplicados devem ser tão seletivos quanto possível, as intervenções mantêm-se nos níveis necessários e o utilizador profissional verifica o êxito das medidas aplicadas.

Antes dos tratamentos, os níveis económicos de ataque são componente essencial da decisão, incluindo os definidos para a região, as culturas e as condições climáticas específicas. Guarde junto da sua análise a origem do critério: uma percentagem sem referência à metodologia de observação não diz como foi obtida nem a que situação se aplica.

Resistência e modos de ação

Quando o risco de resistência é conhecido e os estragos exigem aplicações repetidas, adote estratégias antirresistência. Estas incluem a utilização de produtos com diferentes modos de ação. A seleção deve continuar ligada à cultura, ao inimigo, à estimativa do risco e às autorizações aplicáveis.

No SIFITO, confira o nome comercial, a autorização, as substâncias ativas, os teores, o tipo de formulação e a função; nas finalidades, verifique a época ou estado fenológico, a técnica, o número máximo e o intervalo entre aplicações, a dose, a concentração e as restrições. Ao alternar modos de ação, respeite sempre o número e o intervalo de aplicações, a época e as restrições de cada produto.

Se o resultado do tratamento for insatisfatório, reveja em conjunto a oportunidade, a adequação do produto, o equipamento e as condições de aplicação.

Na ficha de observação, separe a percentagem de plantas afetadas da intensidade dos sintomas em cada órgão. Num percurso pela vinha, identifique as linhas percorridas, assinale as cepas com folhas enroladas, cachos secos ou varas mal atempadas e registe a evolução nas visitas seguintes.

Próximo passo

Abra o SNAA, selecione a região e compare a circular da campanha com as observações da parcela.