Área, dose e volume de calda

Para calcular a calda, reúna a área a tratar e o volume de aplicação por hectare. Precisa também da dose autorizada do produto e do volume de trabalho do depósito. Confirme a dose na finalidade e no rótulo e obtenha o volume por hectare da calibração. A dose indica produto por superfície; a concentração indica produto por volume de calda. Use as fórmulas abaixo para fazer o cálculo manual com os valores confirmados.

Respeite a unidade da dose indicada na finalidade autorizada. Confira separadamente dose, concentração, volume de calda, limites e condições específicas no SIFITO. Os primeiros exemplos usam produto líquido em litros por hectare. Para outra unidade ou uma utilização definida por concentração, use a fórmula correspondente à unidade que consta do rótulo.

Há duas perguntas distintas: quanta calda é necessária para cobrir a área e quanto produto entra nessa calda. A primeira usa a área e o volume de aplicação obtido na calibração. A segunda segue a unidade da dose ou da concentração autorizada. Uma dose em L/ha e uma concentração em L/hL têm denominadores diferentes. Um hectolitro corresponde a 100 litros. Mantenha o denominador escrito ao lado do número, para não transformar uma quantidade por volume numa quantidade por superfície.

Se a dose está em quilogramas por hectare, multiplicar pela área dá quilogramas; se está em litros por hectare, dá litros. Massa e volume são grandezas diferentes: deslocar a vírgula não converte uma na outra. Para pesar um sólido, use um instrumento adequado e não trate mililitros como gramas.

Para uma concentração expressa por 100 litros, a conta aritmética é quantidade de produto = concentração × volume preparado ÷ 100. Imagine, apenas como exercício, 40 mL por 100 L e um volume de 250 L. O resultado é 100 mL. O exercício mostra por que se divide por 100 e em que unidade sai o resultado.

Concentração e dose máxima podem coexistir no mesmo rótulo. Nessa situação, o cálculo deve respeitar ambas: manter a concentração indicada e não ultrapassar a dose máxima por hectare. A dose resultante depende do volume aplicado por hectare. Um depósito maior não concede autorização para aumentar a dose na parcela.

Contas por hectare e por depósito

Com área em hectares e volume em litros por hectare, a multiplicação dá o volume total de calda. Com dose em litros por hectare, multiplicar pela mesma área dá os litros de produto. Calda (L) = área (ha) × volume de aplicação (L/ha). Produto (L) = área (ha) × dose (L/ha). A mesma área deve entrar nas contas de calda e de produto.

Exemplo fictício, sem recomendação agronómica: área de 2 ha, volume de 200 L/ha, dose imaginária de 0,5 L/ha e volume de trabalho de 300 L. A calda total é 400 L e o produto total é 1 L.

No mesmo exemplo fictício, um depósito com 300 L cobre 1,5 ha ao volume de 200 L/ha. A quantidade de produto correspondente é 0,75 L. Restam 100 L de calda para 0,5 ha, com 0,25 L de produto. O somatório volta a dar 400 L e 1 L.

Nas expressões seguintes, A é a área em hectares; V, o volume de aplicação em L/ha; D, a dose em L/ha; T, o volume útil do depósito em litros. Para produto sólido, substitua os litros de produto por quilogramas, mantendo a unidade da dose.

Resultado pretendidoOperaçãoVerificação
Calda totalA × VHectares multiplicados por litros por hectare dão litros de calda.
Produto total por doseA × DA mesma área recebe a dose correspondente, resultando litros de produto.
Área coberta por um enchimentoT ÷ VLitros divididos por litros por hectare dão hectares.
Produto nesse enchimento(T ÷ V) × DPrimeiro calcula-se a área coberta, depois a quantidade proporcional.
Concentração por litro resultanteD ÷ VO quociente relaciona produto e calda para aquelas unidades.
Dose resultante de concentraçãoconcentração por 100 L × V ÷ 100O resultado por hectare deve respeitar as condições simultâneas do rótulo.

Ensaio com água e débito dos bicos

Para calibrar o pulverizador manual, percorra uma área marcada usando água limpa. Calcule o volume gasto pela diferença entre o volume inicial e o remanescente. A extrapolação usa a proporção entre a área ensaiada e um hectare, que tem 10 000 m². No ensaio com trator, entram débito total, velocidade e largura de trabalho.

No procedimento para trator, o depósito começa a metade da capacidade, com água limpa. Cronometre o percurso com o regime de motor necessário para obter 540 rpm na tomada de força. Mantenha esse regime na medição estacionária dos bicos. O terreno do ensaio deve ser o da aplicação ou ter relevo semelhante.

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Velocidade e largura de trabalho

No ensaio em branco, calcule a velocidade a partir da distância percorrida e do tempo cronometrado. O débito é medido com água, durante um minuto, em cada bico, usando o regime de funcionamento indicado no procedimento. Depois somam-se os débitos individuais. A largura de trabalho corresponde à barra ou ao espaço entre linhas, consoante o equipamento. Use estes dados na fórmula do volume por hectare. Não transfira os valores de uma máquina para outra, mesmo que os depósitos tenham capacidade semelhante.

Num exemplo de calibração, 24 bicos a 1,5 L/min fornecem 36 L/min. Com 6 km/h e largura de 12 m, a expressão (600 × 36) ÷ (6 × 12) dá 300 L/ha. O denominador contém o produto da velocidade pela largura; escreva os parênteses para não ler a conta como uma divisão seguida de multiplicação pela largura. Use no seu cálculo o débito, a velocidade e a largura medidos no ensaio.

Velocidade (km/h) = 3,6 × distância (m) ÷ tempo (s). Volume de calda (L/ha) = (600 × débito total em L/min) ÷ (velocidade em km/h × largura em m). Registe a distância medida, o tempo cronometrado e a largura utilizada na conta.

Configuração e diferenças entre saídas

Verifique os filtros no enchimento do depósito, na sucção ou acionamento da bomba, nos setores e nos bicos. Adeque a malha às indicações do fabricante. Se a distribuição difere entre saídas, verifique mais do que o orifício do bico: observe como a água chegou até ele e a posição dos comandos.

No equipamento montado no trator, utilize bicos do mesmo tipo e ângulo. Antes de montar bicos de substituição, confira tipo, ângulo e referência na ficha do fabricante.

Repita a calibração quando mudam equipamento, bicos, manómetro, aplicador, cultura ou estado de desenvolvimento. Ao receber uma máquina reparada, confira o que foi alterado e se o ensaio que tem corresponde à configuração atual. Guarde o resultado da calibração junto do certificado de inspeção, identificando os bicos e a pressão do ensaio.

A verificação do equipamento também abrange acessórios. Mantenha bicos de pulverização, manómetros, filtros, crivos e dispositivos de limpeza dos depósitos em condições que minimizem a contaminação.

O sistema antigota impede a saída de calda quando o equipamento para. Reduz assim perdas e contaminação de áreas não cultivadas. Na demonstração com água, observe também a paragem e a abertura dos setores; anote se há gotejamento persistente e mostre o ponto ao reparador.

No pulverizador manual, ajuste as alças com o equipamento às costas. Confirme que a alavanca permite um curso completo da bomba a velocidade constante. Alças reguláveis, largas e não absorventes distribuem o peso nos ombros e devem ficar firmemente presas. Verifique as abraçadeiras das mangueiras e os conectores para prevenir fugas. O depósito deve esvaziar por completo; a abertura de abastecimento deve facilitar o enchimento e a limpeza, com filtro de cesto e respiro protegido contra vazamento.

Leitura da pressão e proteção da barra

No manómetro analógico, prefira um mostrador com pelo menos 63 mm de diâmetro. Para regular pressões baixas na aplicação de herbicidas, use uma escala com divisões de 0,2 bar. Numa barra com mais de 10 metros, verifique a proteção dos bicos das extremidades contra contacto com o solo. Registe a pressão em bar junto dos débitos medidos: assim repete o ensaio sem confundir a graduação do mostrador com o valor de funcionamento.

Do cálculo ao tratamento executado

Após o tratamento, confira a área efetivamente tratada e as quantidades anotadas na ficha de trabalho. Registe a dose ou concentração e o volume de calda, além da data, área, cultura e finalidade. Utilize o guia dos campos obrigatórios para concluir a ficha.

Calcule a calda para minimizar excedentes. Impeça o transbordo e o retorno da água do depósito ao circuito de alimentação. Entregue o cálculo a quem acompanha o enchimento, destaque a fração final e confira se as instruções sobre o nível a atingir são coerentes.

A finalidade autorizada tem limites de número de aplicações e intervalos, além de concentração, volume de calda e dose. Antes de calcular um novo enchimento, confira as aplicações já realizadas para aquela finalidade. Na folha manual, identifique a intervenção a que a conta pertence, o setor que falta cobrir e a origem de cada valor. Ao passar de um depósito completo para um parcial, refaça a proporção com a área correspondente. Assinale qualquer resultado arredondado, para distinguir o cálculo original da quantidade efetivamente preparada.

Próximo passo

Confira os dados medidos e siga o guia de aplicação antes de preparar a calda.