# Aplicação de produtos fitofarmacêuticos: EPI, calda e drones

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Reviewed: 2026-10-29

## Tratamento fitossanitário: como preparar a aplicação

A **aplicação de fitofármacos** passa por estas etapas: preparação da calda, aplicação, manutenção e limpeza do equipamento e gestão dos resíduos. Ao adquirir o produto, confirme com o fornecedor ou o técnico que ele está autorizado para a finalidade pretendida: a finalidade consta do rótulo, do SIFITO ou de um ofício circular da DGAV.

A decisão profissional deve considerar a proteção integrada e dar prioridade, sempre que possível, a métodos não químicos. É proibido aplicar produtos não autorizados ou desrespeitar as condições de utilização. Identifique a cultura e o inimigo antes de escolher o produto e reservar o pulverizador.

A aplicação profissional exige aplicadores habilitados e identificados. Para o reconhecimento da habilitação e a emissão do cartão, contacte a CCDR territorialmente competente.

Escolha o equipamento em função da dimensão da parcela e do tipo de cultura. Considere também o inimigo, o ambiente de aplicação e as características do produto. Distinga culturas baixas de culturas arbóreas ou arbustivas e considere o compasso e a utilização em estufa ou ao ar livre.

Faça a calibração com água limpa. No pulverizador manual, relacione o volume gasto com a área percorrida. No equipamento associado ao trator, meça o débito e a velocidade. O sistema antigota evita que o equipamento continue a debitar quando para. Devem existir filtros no local de enchimento do depósito, na sucção da bomba, nos setores e nos bicos. Repita a calibração quando mudam equipamento, aplicador, cultura ou estado de desenvolvimento.

Use equipamento de proteção individual adequado e prepare a calda num local seguro. Impeça o retorno de água ao circuito de alimentação e o transbordo do depósito. Calcule a quantidade necessária para minimizar excedentes. Meça ou pese em mililitros ou gramas o produto de que vai precisar e respeite as precauções do rótulo para proteção dos organismos aquáticos.

Nunca desentupa bicos com a boca e vigie o enchimento até ao fim.

Registe os tratamentos, incluindo a identificação do produto e os dados de aquisição e execução. Para preencher os campos no modelo adequado, siga o [guia do registo de tratamentos](/pt/registo-tratamentos-campos-obrigatorios/).

## EPI na aplicação de fitofarmacêuticos: preparação e limpeza

Use a ficha de dados de segurança, ou FDS, para escolher o EPI adequado ao produto. Confira o material, a permeabilidade e a duração da proteção. Verifique nas instruções do EPI os limites de utilização para a tarefa prevista.

O EPI deve ter marcação de conformidade e declaração emitida pelo fabricante ou fornecedor do equipamento. Confira se a documentação acompanha a referência que recebeu, incluindo o modelo e os componentes. Se o conjunto inclui filtros ou acessórios substituíveis, identifique quais são compatíveis segundo as instruções do fabricante, em vez de escolher apenas pelo encaixe aparente.

Escolha a proteção para cada tarefa: preparação e enchimento, pulverização de dorso, aplicação com trator e lavagem do equipamento. Considere também se o trator tem cabina. Separe a proteção usada no enchimento da que usará na pulverização e na lavagem.

Reserve este EPI ao manuseamento e aplicação de fitofarmacêuticos. No fim das tarefas, limpe-o ou substitua-o, consoante o estado e o caráter descartável.

Lave o vestuário reutilizável separadamente da roupa corrente e respeite as instruções do fabricante. Inutilize e substitua os fatos descartáveis após a utilização.

Lave as botas de borracha com as luvas ainda calçadas. Lave também as luvas antes de as retirar, sem tocar na superfície exterior com as mãos. Use água corrente, sem detergente, nestas duas operações.

Lave óculos e viseiras com água corrente; pode usar detergente suave. Limpe a máscara com um pano húmido e mantenha os filtros secos. Deixe visível quais artigos são descartáveis, quais aguardam manutenção e quais estão prontos a voltar ao serviço.

## Misturas: formulação, dose e agitação

Antes de juntar produtos na calda, reúna a identificação, a formulação e as instruções de preparação de cada um. A compatibilidade entre produtos fitofarmacêuticos e adubos consta do rótulo ou das tabelas dos fabricantes; em caso de dúvida, faça a mistura à parte. Se o rótulo não prevê a mistura extemporânea entre produtos, a responsabilidade pela compatibilidade é inteiramente do aplicador. Encha o depósito com o filtro colocado e junte os produtos por esta ordem: pós molháveis e grânulos dispersíveis em água, corretor de pH (se necessário), suspensões ou emulsões concentradas, concentrados para emulsão e tensioativos (se necessário). Para a utilização autorizada, consulte as finalidades no [SIFITO](https://sifito.dgav.pt/), que indica o tipo de formulação (código CIPAC) e qualquer situação que especifique ou restrinja o uso autorizado. Leia o rótulo completo antes do manuseamento.

Quando o rótulo indica ao mesmo tempo concentração e dose máxima, use a concentração indicada; a dose por hectare pode variar com o volume de calda, mas a dose máxima inscrita no rótulo não pode ser ultrapassada. Calcule o produto por enchimento a partir da área, do volume por hectare e da capacidade de trabalho do depósito. Exemplo: com concentração de 0,3 L/100 L e dose máxima de 3 L/ha, gastar 500 L de calda por hectare dá 1,5 L/ha; a dose máxima só é atingida com 1000 L/ha.

Verifique o funcionamento contínuo do agitador, quando existe, e aplique logo depois de preparar a calda. Respeite a indicação do rótulo quando proíbe deixar a calda em repouso.

Alguns adjuvantes são considerados produtos fitofarmacêuticos, embora não tenham substância ativa. Inclua os adjuvantes na verificação de compatibilidade: designação, autorização, formulação e quantidade proposta. Não exclua uma referência da consulta apenas porque não aparece uma substância ativa na coluna habitual. Se a receita recebida usar uma abreviatura que não consegue ligar à embalagem, esclareça-a antes da medição.

## Drones: autorização da aplicação aérea

**A compra de um drone não autoriza a pulverização de fitofármacos.** Em Portugal, o artigo 34.º da Lei n.º 26/2013 mantém a proibição geral da aplicação aérea e admite autorizações em casos limitados. Esta proibição abrange as aeronaves não tripuladas e remotamente pilotadas, os drones.

Na categoria aberta, a aeronave não pode transportar mercadorias perigosas nem deixar cair material.

Prepare o Plano de Aplicações Aéreas, ou PAA, para aprovação. Mesmo com o plano aprovado, é necessário o pedido individualizado de aplicação.

Fundamente os benefícios relativamente à aplicação terrestre e junte os elementos cartográficos das áreas relevantes.

O PAA identifica a área, os responsáveis e os tratamentos previstos.

A caracterização da envolvente inclui zonas habitacionais, locais utilizados pelo público ou por grupos vulneráveis, linhas de água, captações para consumo humano, vias de comunicação e zonas protegidas. Assinale no mapa os limites das áreas relevantes e a localização dos elementos da envolvente.

No pedido de aplicação, indique a referência ao PAA aprovado e identifique o técnico, o operador e o piloto responsáveis. Junte localização, parcelários, superfície, data, estabelecimento de venda, nome comercial, autorização do produto, quantidades e previsão meteorológica. Justifique os desvios ao plano aprovado.

## Durante a passagem e no fim do trabalho

Antes de acionar a tomada de força, verifique o resguardo do veio de cardans e as correias. Ajuste a barra para evitar oscilações e mantenha a distância entre passagens consecutivas. No pulverizador manual, avance em linha reta, sem sobrepor a aplicação em áreas já tratadas. Interrompa se a meteorologia deixar de ser favorável.

Para limitar a deriva, não trate contra o vento e prefira as primeiras horas da manhã ou o final do dia. Não aplique com humidade do ar baixa e temperatura superior a 30 ºC. Escolha o bico mais adequado e prefira bicos anti-deriva, com pressão de trabalho entre 2 e 3 bar nos bicos de leque, 2 e 20 bar nos cónicos e 0,5 e 1,5 bar nos de espelho. Na pulverização de culturas arbóreas ou arbustivas com turbina, feche o sector da metade sem cultura, nas linhas de bordadura e nas cabeceiras. A velocidade do vento e a altura da barra influenciam o arrastamento da calda. O arrastamento pode contaminar massas de água e afetar a saúde de pessoas estranhas ao tratamento, além de reduzir a eficácia, porque a calda não atinge o alvo.

No PAA, defina a sinalização terrestre e os avisos a agricultores, silvicultores, apicultores, moradores, transeuntes e condutores. Marque os limites das zonas de proteção na proximidade da área pulverizada.

Depois de limpar o material e o EPI, lave as mãos e a cara antes de beber ou comer. Faça a higiene pessoal, tome duche e vista roupa lavada.

## Próximo passo

Confira as quantidades com a [calculadora de calda](/pt/calculadora-calda-pulverizador/) e prepare o [registo do tratamento](/pt/registo-tratamentos-campos-obrigatorios/).


